''O CHAMADO DO ALÉM... UM CAMINHO PARA O DESCONHECIDO''
PARTE I
E tudo principiava como se fosse possível transitar ileso pelas chamas de um inferno.
Um inferno de labaredas rubras. Chamas de colorido imparcial.
O que deveras importa é que me perdia de mim naquilo que sou. Naquilo que é expressão de mim no mundo. E ilusoriamente meus sentidos me faziam crer, que era eu da mesma natureza do fogo, que não só consome, como destrói e conduz à cinzas, a natureza primeira, talvez única de um ser.
E era eu então uma coisa não humana. Um ente sem vínculo numa possível cadeia evolutiva.
Minha peculiaridade era ter em mim mesmo o poder da criação. Bem como a voz imperativa da destruição de tudo aquilo que não era eu.
E o mundo e o universo era então eu, cabendo feito grão de areia na palma de minha mão.
E a grandiosidade de mim se consistia no sol, na lua e nos astros, configurações de uma extensão de mim mesmo.
E e o deus éramos um. E meu poder o poder do deus.
E assim como se desenrola um pergaminho que quer conter em si a origem de todas as coisas,
assim se desdobrava minha capacidade de visão. Visão do outro. Visão do Universo.



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