segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

THORN AND STORM




                                                                PARTE II



      E como se a cada pensamento que se desprendia de minha mente em tentáculo de meu próprio corpo fosse. Decepar um desses tentáculos não me fazia falta, nem implicava em perda, pois logo um novo pensamento igual ou de mesma importância renascia.
      E meu tempo era de incontáveis dias. minha alma desconhecia início e não concebia fim. E meu ser era por si próprio cósmico. A universalidade minha implicava na abrangência de meu poder. Nada existia nada que meu espírito não abarcasse, nada à minha percepção escapava. E dor e prazer se igualavam e já não distinguia do inferno um possível paraíso, pois meu espírito consumava em si próprio os dois princípios.
     E transfigurava e estabelecia metamorfoses na conformação da matéria. E o medo, o verdadeiro horror, implicava somente em saber que, de alguma forma tudo pode num determinado tempo se ver despido de uma forma.
     Eu concebia e dor e alegria, e a concepção minha se propagava feito luz. Um facho de mim invadia a vasta extensão interestelar. E lá estava eu. Um astro. Uma extensão de meu eu.
     Jamais quis tanto quando percebi possível estender meu querer para além de mim numa potência inexaurível, da consumação de meu eu eu supremo por todo ser, toda a matéria.
     E nunca me perdia de mim. Antes encontrava-me ainda que no mais insondável labirinto. O labirinto de mim. E sempre incansável percorria trilhas desconhecidas, indo rumo à uma pré-história, numa possibilidade de ser antes mesmo se quer de ter existido.
     Eu já sabia de mim antes que a primeira estrela despontasse no horizonte de densas trevas.
     Investigava cada veio de minha substancialidade e meu olhar ardia com a lava da cratera profunda em que se consistia minha independência de ser. E essa imparcialidade subjacente entre eu e o todo conduzia-me como a saber hoje do amanhã, já tendo esgotado por inteiro o ontem. 
    E eternizado em mim o poder, estendia o braço ora benigno ora maligno e estipulava minha sentença sobre o sono de qualquer um que dormisse.
   E calculando uma ruína que na certa um dia viria, consumava-me na concretude do todo, divagando sempre na possibilidade de ser assim eterno.


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